01/03/2021 12:43

Artigo científico mostra características da "segunda onda" de covid-19 em dez países

Análise estatística de pesquisadores da Rede ModInterv sustenta que reaceleração da curva de mortalidade é mais intensa onde ela havia sido “achatada”, traduzindo em números o choque vivenciado em países como a Alemanha. O Brasil também enfrenta segunda onda, mas em situação diferente: “não teve como piorar”

O relaxamento de medidas sanitárias nos países que haviam alcançado o “achatamento da curva” da mortalidade por covid-19 conduziu a uma segunda onda da doença ainda mais grave, sugerem pesquisadores da Rede Cooperativa de Pesquisa em Modelagem da Epidemia de Covid-19 e Intervenções não Farmacológicas (Modinterv). O estudo “Standard and anomalous second waves in the COVID-19 pandemic”, publicado na plataforma de pré-prints medRxiv e submetido ao periódico Scientific Reports, considerou o cenário de dez países, incluindo o Brasil, em seis continentes. A constatação é de que metade dos países analisados haviam controlado a doença, mas registraram até 12 vezes mais mortes na segunda onda na comparação com a primeira.

Com base em parâmetros do modelo matemático, o estudo apresenta um índice que foi descrito pelos pesquisadores de “número de mortes que poderiam ter sido poupadas se o país tivesse conseguido evitar uma segunda onda de covid-19”. A situação foi verificada em Marrocos, Austrália, Áustria, Alemanha e Sérvia. Todos são países que tinham alcançado o platô da curva de mortalidade por covid-19 — que, no gráfico que considera número de mortes acumuladas e dias desde a primeira morte, significa ausência de mortes —, e viram a retomada da curva chegar a níveis ainda mais altos na segunda onda. Nesse cenário, os casos mais graves dentre os países considerados no estudo são os do Marrocos (12,7 vezes mais mortes), do Irã (8,7 vezes) e da Alemanha (8,4).

O estudo dá números à sensação de “péssima escolha” que governos de países com medidas de contenção bem-sucedidas vivenciaram na sequência das tentativas de retomada do cotidiano ainda sem a existência de uma vacina contra a doença.

“A mensagem do trabalho é que não devemos baixar a guarda pelo fato de a epidemia ter sido ‘controlada’ pela adoção de medidas de controle em um primeiro momento. Quem se ‘arriscou’ e descuidou demais, pagou um preço alto”, avalia Giovani Vasconcelos, professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador da ModInterv. Também fazem parte da rede pesquisadores das universidades federais de Pernambuco (UFPE) e Sergipe (UFS). (...)".

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Drive com gráficos: https://bit.ly/2NMbeuR

Artigo “Standard and anomalous second waves in the COVID-19 pandemic” (2021): https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2021.01.31.21250867v1
Artigo “Power law behaviour in the saturation regime of fatality curves of the COVID-19 pandemic” (2021): https://www.nature.com/articles/s41598-021-84165-1

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